Luc Besson retorna ao cinema em 2025 com Drácula: Uma História de Amor, uma releitura ousada e visualmente exagerada do mito criado por Bram Stoker. Ao contrário de versões recentes como Nosferatu, de Robert Eggers, que resgataram o terror gótico, Besson aposta em uma mistura de romance trágico, fantasia extravagante e humor inesperado, criando uma experiência cinematográfica curiosa e imprevisível.
Na trama, ambientada inicialmente na Romênia de 1480, o príncipe Vladimir Segundo (Caleb Landry Jones) vive um intenso romance com Elisabeta (Zoë Bleu). O amor é interrompido quando Vlad, em meio a um conflito, acidentalmente a mata. Desesperado, ele renuncia a Deus e recebe a maldição da imortalidade. Condenado a vagar por séculos, o príncipe busca obsessivamente a reencarnação de sua amada.
Entre gárgulas digitais e melodrama exagerado
O crítico Roger Lerina, do Matinal Jornalismo, avaliou o filme como “uma versão exangue do clássico vampiro”. Segundo ele, embora o longa invista mais no romance do que no terror, falta profundidade emocional para sustentar essa proposta. Lerina destaca que, apesar da estética visual requintada, a narrativa não captura a essência sombria e complexa de Drácula, o que pode decepcionar os fãs do gênero.

Quatrocentos anos depois, já em Paris, surge Maria (Matilda De Angelis), uma jovem misteriosa que desperta a atenção do conde. Com a ajuda de um padre interpretado por Christoph Waltz, que poderia facilmente ser Van Helsing, a história se transforma em um conto de fadas sombrio. Além disso, o visual aposta em gárgulas digitais questionáveis, sequências estilizadas e uma trilha sonora grandiosa assinada por Danny Elfman, que intensifica o clima de exagero.

Apesar do título, o filme praticamente abandona o terror gótico, o que deve dividir opiniões. Os puristas podem ver isso como heresia, mas espectadores dispostos a embarcar na proposta encontrarão momentos divertidos e cenas que beiram a comédia involuntária. O desfecho abrupto e irônico reforça a natureza peculiar da obra.
Drácula: Uma História de Amor não revoluciona o mito do vampiro, mas pode se tornar um dos filmes mais excêntricos de 2025. Desse modo, Besson entrega um espetáculo que mistura romance condenado, estética extravagante e um humor que, intencional ou não. Fazendo a produção brilhar como uma “joia acidental” do cinema pop.
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