A despedida de William Bonner do Jornal Nacional marcou não apenas a história da televisão brasileira, mas também revelou o poder da publicidade ao vivo. O último “boa noite” do jornalista, após quase três décadas na bancada do telejornal mais assistido do país, transformou-se em um fenômeno de marketing que movimentou milhões de reais e emocionou o público.
Enquanto o público se despedia de um dos maiores nomes do jornalismo nacional, marcas como Amstel, McDonald’s, Nubank e Pilão aproveitaram o momento histórico para unir emoção, estratégia e reconhecimento. Além disso, cada empresa escolheu um tom próprio — algumas apostaram no humor, enquanto outras optaram por mensagens de gratidão e nostalgia.
De acordo com informações da Folha de S. Paulo, a Globo arrecadou cerca de R$ 10 milhões apenas com os anúncios exibidos durante a edição especial do telejornal. Esse valor confirma a força de Bonner como ícone midiático e mostra que, mesmo com o avanço do streaming, a televisão brasileira ainda mobiliza grandes audiências.
Campanhas criativas e cheias de significado
O Nubank adotou um tom formal e emocionado em sua homenagem. Em letras brancas sobre o fundo roxo característico, a mensagem dizia: “Depois de mais de 10.000 ‘Boa Noites’, só nos resta dizer: obrigado!”. Assim, a marca reforçou seu posicionamento de proximidade e reconhecimento.
Por outro lado, a Amstel escolheu o caminho do bom humor. A marca relembrou o episódio em que Bonner foi flagrado abrindo uma lata d’água durante as eleições, o que gerou memes nas redes sociais. Com isso, a cervejaria brincou: “Dessa vez é cerveja mesmo. Boa noite.”
A publicidade é boa demais nesse país https://t.co/Xa1FHYqhwk
— raquel (@_quelazevedo) November 1, 2025
O Café Pilão também prestou sua homenagem, conectando o início e o fim do dia: “Dar bom dia sempre foi o nosso forte, mas hoje viemos prestigiar o boa noite mais famoso do Brasil”. A mensagem destacou a tradição da marca e reforçou o elo entre cotidiano e afeto.
Para encerrar o bloco, o McDonald’s apostou em uma ação interativa com o público. Durante o programa, a rede liberou cupons promocionais com batata grátis e a frase “O boa noite de hoje é especial e tem gostinho de Méqui”. Dessa forma, a marca uniu emoção, engajamento e conveniência — ingredientes perfeitos para viralizar nas redes.
Televisão e publicidade em transformação
Mais do que comerciais isolados, essas campanhas evidenciam uma mudança na forma como as marcas encaram a televisão. Atualmente, os intervalos comerciais tornaram-se oportunidades estratégicas para gerar conexão emocional com o público. Não por acaso, o Jornal Nacional registrou média de 23 pontos de audiência, com picos de 24, números comparáveis a finais de novela.
Além disso, a repercussão foi imediata nas redes sociais. “O da latinha foi genial”, comentou uma usuária no X (antigo Twitter). Outro internauta resumiu o sentimento geral: “A publicidade brasileira entregou arte no intervalo do Jornal Nacional”.
Com isso, a saída de William Bonner simboliza mais do que o fim de uma era. Ela inaugura um novo modelo de TV, capaz de transformar despedidas em espetáculos de marca, emoção e audiência. Sem dúvida, um momento histórico para o jornalismo e para o mercado publicitário brasileiro.
