Se você cresceu nos anos 90 ou 2000, é quase certo que tenha vivido a empolgação de abrir um pacote de Elma Chips e encontrar um Tazo colecionável. O frisson era tanto que os recreios escolares viravam arenas de troca e disputa. Com personagens como Looney Tunes, Pokémon, Yu-Gi-Oh! e outros ícones da cultura pop, os Tazos se tornaram símbolo de uma geração – e, para muitos, o primeiro contato com o colecionismo.
No auge da febre, estima-se que mais de 50 milhões de Tazos tenham sido distribuídos no Brasil. As edições variavam em formato, material (plástico, metal, 3D) e até interatividade – como os Tazos giratórios. Mas, com o tempo, o encanto foi se dissipando. A ascensão dos jogos digitais, a mudança nos hábitos infantis e a diminuição do consumo de snacks contribuíram para o desaparecimento gradual da prática.
Por que os Tazos sumiram das prateleiras brasileiras?
O fim dos Tazos não foi um evento isolado, mas parte de um cenário maior de mudanças no comportamento infantil e nas estratégias de marketing. O avanço da tecnologia e o surgimento de novas formas de entretenimento, como celulares, tablets e plataformas de jogos online, transformaram a maneira como as crianças interagem com o mundo. Em vez de objetos físicos, o apelo passou a ser digital – e isso afetou diretamente produtos como os Tazos, que dependiam do contato físico, da troca presencial e do “mistério” ao abrir um pacotinho.
Além disso, questões regulatórias relacionadas à publicidade para o público infantil também dificultaram a continuidade de campanhas que incentivavam a compra repetida de alimentos com brindes colecionáveis. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o apelo comercial associado a produtos ultraprocessados é um fator preocupante para a saúde infantil, o que levou marcas a repensarem suas abordagens.
Nova febre na Austrália pode inspirar o Brasil
Apesar do sumiço no mercado nacional, o colecionismo baseado em discos retornou com força em outras partes do mundo. Um exemplo recente é a campanha da rede australiana de supermercados Coles, que lançou uma linha de discos colecionáveis inspirados no universo de Harry Potter. A mecânica é simples: a cada AU$30 em compras, o cliente recebe um pacotinho com dois discos, podendo ainda adquirir um álbum oficial para organizá-los.
O sucesso foi instantâneo: em menos de duas semanas, várias lojas esgotaram os pacotes promocionais. No total, são mais de 70 discos diferentes, incluindo versões raras e douradas. O projeto mistura nostalgia, magia e uma pitada de exclusividade – tudo que uma boa coleção precisa. Nas redes sociais, vídeos de crianças (e adultos!) abrindo os pacotes viralizaram, reforçando o apelo emocional do projeto.
Coles Magical Discs — Foto: Divulgação
No Brasil, iniciativas semelhantes já começam a aparecer, especialmente com álbuns de figurinhas temáticas em redes como Carrefour e Lojas Americanas. Mas ainda não vimos o retorno dos discos em si – ao menos não com o mesmo charme dos Tazos originais. Será que estamos prontos para um reboot?
Para as famílias brasileiras, uma campanha como essa teria grande potencial. Afinal, além de incentivar a imaginação e o vínculo entre pais e filhos, ativa um sentimento coletivo de nostalgia, algo cada vez mais valorizado na era do marketing emocional. Segundo dados do Google Trends, o interesse por “Tazos” ainda apresenta picos de busca todos os anos, especialmente entre os meses de férias escolares.
Agora, os fãs podem encontrar a cerveja que acompanhou as aventuras de Homer Simpson nas prateleiras brasileiras. A Duff Beer, símbolo da cultura pop,...